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26.6.16

o regresso

Quase três meses sem aqui vir. Quase todos os dias me lembro do blog, e do bem que me sabe escrever e ir contando os meus dias. No entanto, creio que quanto mais tempo passa mais difícil se torna o regresso - acontece-me o mesmo com o ginásio, quanto mais vou mais sinto vontade de ir mas quando estou uma semana sem ir o regresso torna-se mais difícil. É (tem sido) o mesmo com o blog. E com a leitura, por exemplo.

Precisava de me orientar na frente profissional. Assumi um novo desafio que me ocupou bastante os primeiros tempos, nomeadamente algumas noites e fins-de-semana, até ganhar um certo à-vontade. Felizmente, já entrou tudo nos eixos e espero retomar alguns dos hobbies que me preenchem, como o blog. Há sempre tanto para contar (e tenho tantas publicações nos Rascunhos, nomeadamente da ida a Nova Iorque, por publicar).

Estou de volta :)

4.4.16

ausência

Still alive, still here, sem tempo para muito além do trabalho. O que é bom, claro - mas estou a falhar noutras frentes. Não me tenho conseguido desdobrar no campo da amizade: não levo uma única combinação até ao fim, cancelo todos os encontros, cafés e copos combinados. Todo o tempo livre é dividido entre Manel, família próxima e ginásio (despertador às 06:50 - não tenho falhado as três idas por semana!). É uma questão de adaptação e eu demoro a adaptar-me, a encontrar o meu ritmo. Espero que entre tudo nos eixos em breve - e voltarei com novidades.

(Entretanto fiz anos! #trintamenosum)

18.3.16

das newsletters


Fotografia de Galymzhan Abdugalimov | Unsplash

Estou há algumas semanas com trabalho mais intensivo durante a semana, o que tem feito com que desligue mais ao fim-de-semana (não totalmente, mas mais, pela minha sanidade) e o que me trouxe de volta o sabor das sextas-feiras - que é maravilhoso. Chegar a sexta-feira à noite é maravilhoso. Esboçando um pequeno exemplo da minha felicidade: hoje, que consegui terminar a horas decentes, fui direita ao frigorífico para celebrar com uma querida mini. Um copo à sexta-feira, tal como a sexta-feira, tem outro sabor.

[No entanto constatei que estamos sem cerveja em casa. Costumamos ter sempre no frigorífico, para uma eventualidade ou para sextas-feiras à noite, mas parece que se acabou. Humm, apetecia-me mesmo. Felizmente há substituições. A garrafa de vodka que um amigo polaco me ofereceu há uns tempos piscou-me o olho e eu pensei why not? Na verdade trabalho com e para russos, parece-me mais que apropriado :) Tudo isto para vos dizer que escrevo com um vodka tónico ao lado]

Tenho sentido que tenho muito para contar mas na realidade os dias têm sido um pouco intensos e chego à noite farta cansada de computador. O Manel é testemunha, há dias em que só me movo entre o escritório, a casa de banho e a cozinha. Acho que o que me safa é o facto de ser bastante organizada. Tenho tudo apontado, para que nada me escape, e faço questão de não deixar questões pendentes ou por resolver para o dia seguinte. Não há nada como adormecer com a sensação de missão cumprida.

Entretanto há uma medida que tenho vindo a tomar ao longo dos últimos dias e que se tem provado oportuna. Acho que vale a pena partilhar por aqui. Às vezes leio - ou melhor, traduzo - artigos com sugestões para aumentar a produtividade (apesar do tom de auto-ajuda, adoro, são sempre divertidos). Uma sugestão comum é: defina três momentos do dia para consultar o e-mail - de manhã, a meio do dia e ao final do dia - para evitar distracções. Pois bem, é algo que não consigo fazer.

Não consigo estar bem com a sensação de será que me disseram alguma coisa? Prefiro ser "interrompida" com mais frequência mas saber que lido com os assuntos no momento - ou que sei o que se está a passar (pode ser um sinal dos tempos, de vivermos tão no imediato, mas na realidade sou assim desde sempre). Como recebo os e-mals em pop-up, estou a trabalhar e aparece-me uma janelinha de lado, com o remetente e assunto, logo consigo perceber do que se trata - e prefiro assim, mesmo que não responda logo.

Acontece que sou (somos) invadidos por newsletters e campanhas publicitárias que fomos subscrevendo, e não subscrevendo, ao longo da vida (ou dos últimos 10 anos, vá) - e mesmo que não abramos os e-mails, acabam por distrair. Solução? Ao longo das duas últimas semanas tenho vindo a fazer unsubscribe a tudo o que são newsletters indesejadas. Se gosto de saber as novidades da Lanidor ou da Women's Secret? Sim, mas não têm de interromper a minha tradução sobre o PSI20. Não combina :)

Posso sempre visitar os sites por iniciativa própria e, para quem não resiste a compras (not exactly me), não faz mal nenhum à carteira não ter lembretes para as novas colecções. Fica a dica! 

9.3.16

últimos tempos

Nunca andei tão desaparecida daqui. A verdade é que a semana passada foi mesmo muito preenchida com trabalho - com vários trabalhos e muitas horas dedicada aos mesmos - e o fim-de-semana foi passado fora. Adaptação, logística, stress (algum) são as palavras que a definem melhor. Esta semana está a ser bem mais controlada - e até consegui voltar ao ginásio hoje de manhã (não ia desde a segunda-feira passada, há meses que não fazia um intervalo tão grande). Em modo expresso:

Duas conclusões dos últimos tempos: (i) o ginásio faz-me uma falta tremenda - já por aqui disse que a energia, e a capacidade de trabalho e de foco, são muito superiores nos dias em que vou de manhã ao ginásio (é mesmo incrível); e (ii) tinha saudades de ter um grande volume de trabalho em mãos - quanto mais trabalho mais me apetece trabalhar. Sempre gostei de trabalhar (e não tenho estado parada) mas a dose dos últimos tempos reforçou o feeling.

Três verdades cruas dos últimos tempos: (i) estive sem sair de casa entre segunda-feira às 9h e quinta-feira às 16h (true story, acho até que empalideci); (ii) houve dois dias em que não tomei banho - luxos (?) de quem trabalha em casa (calma: higiene básica e mudança de roupa garantidas); e (iii) houve dois dias em que trabalhei todo o dia de pijama - acho que nunca o tinha feito e não gostei. Parece-me, sinceramente, que bloqueia a produtividade.

Por hoje é tudo. Volto amanhã.

[Não Inês, não sou eu na fotografia - mas podia ser, é o que mais tenho feito nos últimos tempos: teclar, teclar, teclar] - Fotografia de William Iven | Unsplash

29.2.16

14 horas

Levantei-me às 7:10 para ir ao ginásio. Pequeno-almoço reforçado e segui mas não fiz tudo o queria. Costumo ir um pouco mais tarde e faz a diferença: quanto mais cedo - ou quanto mais tarde - mais lotado. Entretanto, estou em frente ao computador desde as 9 (são 23:05). Almocei e lanchei em frente ao computador. Fiz pausas para encher a garrafa de água, ir à casa de banho e fazer duas chamadas-relâmpago.

Não é nada de novo, já o fiz diversas vezes, e não estou cansada (a prova é que ainda vim aqui, ao meu-querido-blog, dar notícias). É apenas um pouco assustador por ainda ser apenas segunda-feira. É assustador por ser um mundo novo (com responsabilidades novas) mas é também entusiasmante. É um assustador bom. Sou um pouco bipolar nestas coisas.

É provável que ande mais desaparecida estes dias.
Mas volto :)

15.2.16

últimas





Fotografia de Matt Popovich | Unsplash

O post de hoje sai em modo expresso:

Estive em clausura, de quinta-feira a sábado, de volta de dois trabalhos (saí apenas na sexta-feira de manhã para ir ao ginásio e fui fazendo pausas para refeições e lanches - pausas demais). Sábado à noite, com tudo entregue, desafiei o Manel para um copo no Lx Factory. Acabámos a cear bolo de chocolate no 1300 Taberna. Tão giro o espaço - arquitectura industrial - e tão bom o bolo.

O Pedro aceitou o desafio (e eu engoli em seco). Espreitei o calendário de provas do Correr Lisboa (o nome induz em erro, o site apresenta provas previstas de Norte a Sul do país) a ver se encontrava algo de pequena dimensão para uma experiência antes dos 10 km. Pareceu-me ser tudo de 10 para cima: 10 km, 21 km, 25 km, 50 km, 100 km (?). Entretanto vou precisar de uns ténis decentes!

Hoje estamos com obras no prédio - já houve tantas obras desde que sou home-based freelancer... - e desta vez também contribuímos para o caos. Estamos com pequenos arranjos cá em casa (mudar o papel de parede da cozinha, entre outras coisinhas) e hoje estou em modo baby sitting dos senhores responsáveis pelas obras. Amanhã fica o Manel (não me concentro com martelos).

Fiquei a saber que vai sair mais um livro de Harry Potter - e fiquei histérica. Combinei com a minha amiga Laura lermos o livro em simultâneo (cada uma em sua casa, vivemos em países diferentes) tal como fizemos com os livros do Senhor dos Anéis há... 15 anos atrás? Falando de amigas: a minha amiga Jacinta vai casar (o dia dos namorados tem destas coisas) o que significa que eu e o Manel voltaremos ao Funchal em 2017.

A minha vida está em stand-by total. A qualquer momento posso ter novidades e ao mesmo tempo pode não mudar nada. Acho que estou confortável com isso, quase tranquila, pela primeira vez desde que sou freelancer. Demoro a adaptar-me mas penso que estou, finalmente, a aprender a conviver com a incerteza. Ou então estou apenas bem disposta? Veremos :)

Entretanto passei mais um TPM com distinção! Para quem não percebe esta afirmação há esclarecimentos aqui e aqui.

Por hoje é tudo. Amanhã volto com mais calma.

28.1.16

escrever

Gosto de escrever. Nem sempre reúno as condições (sossego, algum isolamento - sim, sei que sou complicada) de que preciso para o fazer como gosto, com maior subtileza, mas até mesmo na escrita mais leve ou técnica encontro prazer. A produção de conteúdos fez parte das diversas experiências profissionais que tive - antes da vida freelancer - e era o que fazia com maior satisfação, sem hesitações, provavelmente por ser um momento autónomo, só meu. Gosto de trabalhar sozinha.

Curiosamente encontrei, recentemente, uma plataforma online que aceita encomendas de artigos (da parte de publicações digitais ou mesmo de particulares) e atribui a elaboração dos mesmos a redactores freelancer. Ser recompensado por escrever, de uma forma tão simples? Desconfiei. Bom demais para ser verdade. Passeei pelo site para perceber o funcionamento: depois de elaborados e revistos por uma equipa de editores os artigos são entregues ao cliente e o freelancer é devidamente remunerado.

Decidi registar-me. Um processo muito simples: são solicitados apenas alguns dados e um texto com um mínimo de 500 palavras (mais ou menos o equivalente a uma página word) para a equipa de editores poder avaliar a minha escrita. Nesse momento pensei que talvez se tratasse de algo sério. Preparei um texto dentro de um dos quatro temas que sugeriam. Li, corrigi, voltei a ler, gostei do que li e submeti. Passadas 24 horas úteis tinha a resposta: candidatura aceite. 

A partir desse momento passei a ter acesso aos "artigos disponíveis" na plataforma. Espreitei e não encontrei nenhum. Voltei umas horas mais tarde, nada. Voltei ontem de manhã e estava um artigo disponível, uau! Confesso que nem me recordo do tema, apenas me lembro dos requisitos para o mesmo: artigo com um mínimo de 650 palavras - o que será uma página e meia - e valor: 2€. 2€. Para investigar sobre um tema, recorrer a várias fontes e produzir um texto?

Estimei que precisaria de pelo menos uma hora, provavelmente um pouco mais. Pareceu-me demasiado absurdo para ser real e tentei perceber se a plataforma estava realmente a ser utilizada por mais pessoas. Pesquisa rápida no Google e fui parar a um fórum onde percebi que, entre aqueles que tinham sido aceites como redactores (porque houve candidaturas recusadas), reinava alguma felicidade por estarem prestes a receber 6€ por três artigos que tinham escrito. Três artigos. Umas três horas?

Útil em situação de desespero, de desemprego? Claro, não digo que não. A plataforma deixa claro que não se trata de um emprego, apenas de um complemento? Sim, deixa claro. Contudo, complemento ou não, não deixa de ser um valor demasiado baixo para o trabalho que representa. Não é "qualquer um" que escreve, como não é qualquer um que traduz ou que ensina. A produção de conteúdos requer um certo nível de vocação, entre exigências de cariz e rigor técnico.

Depois do choque inicial fiquei apenas triste. Crio expectativas com facilidade e fiquei entusiasmada com a possível actividade paralela - a fazer algo que gosto. Enfim, já passou. Vou voltar a espreitar o site para tentar perceber se mantêm os mesmos valores - o que imagino que sim - mas não estou disposta a colaborar nesses termos e fico incomodada (apesar de compreender potenciais situações de desespero) com o facto de algumas pessoas estarem.

Fotografia de Florian Klauer, Unsplash

21.1.16

sim, ontem estava rabugenta

Ainda agora disse aqui que ontem estava rabugenta: saíram os resultados do tal concurso público e, como previsto, não tinha mesmo corrido bem. No fundo tinha alguma esperança, porque sou naturalmente optimista.. Fiquei momentaneamente triste mas depois agarrei-me ao trabalho e desvalorizei. Quero pensar que se não correu bem é porque não era suposto e porque é necessário espaço (e tempo) para que algo melhor aconteça. Não é acreditar no destino, é acreditar no equilíbrio. Há a possibilidade de estar a enganar-me a mim própria mas por enquanto vou continuar a pensar assim.

[E hoje acordei muito mais bem-disposta]

responder (sempre)

Das coisas que não compreendo: pessoas que não respondem a mensagens ou e-mails (profissionais). Não insisto numa resposta dentro de 24 horas e nunca em período de férias ou fins-de-semana. Falo de resposta - responder, efectivamente, a quem aguarda - em dias úteis e, pelo menos, em 48 horas. Dois dias. Parece-me razoável, tanto para quem escreve como para quem aguarda.

É algo que me ultrapassa, principalmente quando é do interesse da pessoa envolvida (e que não responde). A não ser que algo de transcendente se passe na vida da pessoa em questão - e acontece, naturalmente - não encontro razão. Melhor, encontro: é falta de educação e de profissionalismo. Até porque há sempre a possibilidade de telefonar e resolver o assunto (responder) em segundos. Não deixar pessoas à espera.

[Confesso que pensei em escrever este post ontem, estava mais rabugenta. Hoje acordei bem-disposta mas achei que devia escrever na mesma. Aplica-se: ainda não me responderam.]

4.1.16

os últimos dias do ano

Não escrevo há 15 dias. Confesso que sinto alguma falta. Gosto da sensação de ir contando os meus dias - e gosto de saber que alguém "os lê". É um diário, um desabafo, uma forma de registar memórias. Há uns dias ouvi (num TED de que tenho de falar aqui) que temos tendência a desvirtuar as memórias com o passar do tempo - provavelmente ajustamos ao que gostaríamos que se tivesse passado, suavizamos momentos mais negativos ou intensificamos outros? Acredito que aconteça com frequência. O blog pode ser uma forma de manter as memórias reais - e gosto dessa ideia. Mas adiante! Muito se tem passado - não fosse esta a altura mais "preenchida" do ano para toda a gente.

Natal. Passámos o 24 cá em casa e o 25 entre Cascais e Lisboa. Felizmente temos a família perto, toda entre Setúbal-Cascais-Lisboa, logo não temos de fazer muitos quilómetros para estar com todos. O meu Natal de infância era quase sempre na mesma casa (a casa de Azeitão) onde ia toda a família e era raro termos de nos deslocar em ambos os dias. Lembro-me de ter a sensação de o Natal durar imenso tempo. Hoje dividimo-nos um pouco para chegarmos a todas as casas e dois lados da família - mas não nos podemos queixar, estão todos perto. Como dizia: a véspera foi cá em casa - gosto muito do Natal e tenho o maior prazer em que seja cá em casa. Temos uma casa que se presta a "jantares" com uma sala de jantar e sala de estar contíguas; a nossa Joselita (tenho de falar na Joselita) veio dois dias antes e a casa ficou impecável; e dividimos os preparativos e iguarias entre todos - e assim ninguém ficou muito cansado. Confesso que não gosto de "coisas a mais" (afinal éramos só sete) nem da ideia de passar o dia inteiro na cozinha. Gosto que estejamos todos pela sala, a conversar, a jogar, a petiscar - com idas pontuais à cozinha para controlar o peru no forno. Simplificamos e gosto disso. Afinal de contas não é tarde/noite para stressar, é para estar. Simplesmente estar e desfrutar da companhia. É verdade que ainda não temos um Natal com crianças mas creio que vamos conseguir manter o "simples e calmo" quando tivermos :) Foi o nosso terceiro Natal juntos, meu e do Manel.

Passagem de Ano. Também foi cá em casa, com amigos. Nem eu nem o Manel ligamos muito à data - nem os amigos que cá vieram - mas não deixa de ser uma noite diferente. A lógica foi a mesma do Natal: cada casal preparou qualquer coisa o que permitiu conversa pela noite dentro, sem grande stress na cozinha. Prático e descontraído. Quanto à "passagem" em si: confesso que sempre fui pessoa de resoluções - "este ano vou aprender mais uma língua", "este ano vou fazer mais exercício físico", "este ano vou (...)" - mas creio que já em 2014 não fiz. [Fui agora ver o post que publiquei no Facebook no final de 2014 e não fiz mesmo: "Depois de um dia um pouco atribulado (note to self: não experimentar um cabeleireiro novo em dias de festa) e com um humor assim-assim (tenho esperança no champanhe) recordo-me que 2014 fica marcado pela minha primeira bola de berlim na praia (true story).. E pelo regresso apaixonado a Lisboa, depois de Bruxelas, e por muitas viagens e dias bons! Apesar de estar certa de que não trocava nada (do que é realmente relevante).. Gosto de recomeços. Ano novo: saúde para todos, o resto fazemos nós. "destaveznaofacoresolucoes #quevenha2015 #bomano"]. Pois bem, em 2015 também não fiz resoluções. Pensei num post para partilhar, mas com os amigos a chegar cá a casa e a conversa que surgiu pelo meio acabei por não publicar. Ainda publiquei uma fotografia - pequeno desenho criado por mim com uns carimbos amorosos que comprei em Nova Iorque:


























Nas não cheguei a escrever nada. Tinha na cabeça um post bem-disposto como o do ano passado (apesar de não andar com a disposição nos píncaros - curiosamente também não estava ultra bem-disposta no final de 2014). Tinha na cabeça algo como: "2015 foi o ano em que passei a gostar de castanhas assadas e de filhozes - ou o ano em que comprei os primeiros cremes anti-rugas (gostava de dizer que apenas de prevenção mas acho que já vi uma ou outra malvada). Também foi o ano em que deixei o trabalho estável, em que já não me revia, por um dia-a-dia mais incerto. Apesar de não me arrepender - tomaria a mesma decisão hoje - ainda não me habituei totalmente a trabalhar a partir de casa/por conta própria mas sou uma pessoa que não lida bem com a mudança." E não pensei em forma para terminar mas sei que voltaria a desejar saúde a todos - algo que por muito que façamos (exercício físico, alimentação saudável...) não controlamos totalmente. Há muito mais que não controlamos... Mas que podemos sempre tentar mudar ou alcançar e é novamente com esse espírito que entro no novo ano. 2016 é capaz de ser o ano sobre o qual menos sei (antes do ano começar). Tenho amor, todo o amor que podia desejar, e a minha família próxima - mas tudo o resto, e principalmente a vida profissional, é uma incógnita. Estou curiosa.

Ainda sobre os últimos tempos: entre o Natal e a Passagem de Ano tive uma prova de conhecimentos que exigiu alguma dedicação (pesquisa e estudo) nas semanas anteriores. Esperava que corresse melhor: achava que estava preparada e tive um pequeno baque quando vi as perguntas do exame. Respondi o mais e melhor que pude e ainda não sei os resultados - mas não estou muito optimista. Na verdade não andei muito optimista nos últimos dias do ano - já por aqui tinha partilhado que não sentia o espírito natalício - e tenho andado um pouco ansiosa com a volatilidade do trabalho por conta própria. Posso sempre concluir que não é o melhor para mim, que não se encaixa no meu feitio, que prefiro algo fixo ou integrado numa equipa/entidade. Mas ao mesmo tempo acho que ainda não lhe dediquei (à experiência em si) tempo suficiente. Lá está: estou a lidar com o desconhecido para os próximos tempos. Tenho de aguardar os resultados do exame - mas ao mesmo tempo estou a preparar-me para a possibilidade de não ter um resultado positivo. Há que ter sempre um plano B, que não é melhor nem pior, é algo que nos salvaguarda se o plano inicial não correr como esperamos. Vou apostar no plano B nos próximos tempos - que na verdade já existe há algum tempo mas não lhe tenho dado a atenção devida. É altura de o fazer. Afinal "the best way to predict the future is to create it" - Peter Drucker. Podemos controlar quase tudo. Podemos mudar quase tudo.

Feliz 2016 às quatro pessoas queridas que sei que me lêem: Manel, Mãe, Inês e Laura. Sei que alguém já espreitou o blog em Varsóvia e na Amadora (?) o que me deixa curiosa! Vou averiguar :)

13.11.15

sexta-feira

Outra coisa que mudou com o facto de trabalhar a partir de casa - e por conta própria - foi o sabor das sextas-feiras. A sensação de liberdade ao sair do escritório ao final do dia, depois de uma semana intensa de trabalho, com a promessa do fim-de-semana pela frente... Perde-se. A verdade é que deixam de existir horários: todos os momentos livres são úteis para trabalhar, para avançar em mais qualquer coisa - seja à noite durante a semana ou ao fim-de-semana. Os dias distinguem-se menos entre si. Sei que posso "decretar" que a noite de sexta é momento para parar, mas não será a mesma coisa. Hoje, por exemplo, tenho um Manel entretido com tachos e panelas na cozinha - como não aproveitar para trabalhar mais um pouco?

(em compensação - a vida a equilibrar-se sozinha - os domingos à noite parecem-me menos deprimentes, muito menos deprimentes)

5.11.15

Cowork - Campo de Ourique

Estou a trabalhar a partir de casa desde Junho. Trabalhar a partir de casa é uma miragem muito apetecível quando estamos num escritório distante (para onde temos de nos deslocar de carro ou transportes públicos, enfrentando o trânsito, a chuva, o caos), com colegas que são só isso mesmo, colegas (com quem não sentimos afinidade) e com um trabalho que se afasta cada vez mais daquilo que somos. Acontece que trabalhar a partir de casa pode não ser fácil, pelo menos de imediato, ou pode exigir alguma adaptação (o que se complica comigo, que sou um pouco avessa à mudança). Por dificuldade não falo da instabilidade ou ansiedade da vida de freelancer (que existe, mas é conversa para outro post). Falo da necessidade de criação de rotinas para não existirem distracções (e por distracções nem falo de televisão, que para mim é como se não existisse, nem da tentação de atacar o frigorífico com mais frequência - que acontece, sim, mas tem o seu lado positivo: estar em casa permite fazer opções mais saudáveis). Falo da necessidade de criação de um espaço de trabalho e de métodos para que a vida da casa não se intrometa na vida profissional (evitando, por exemplo, dobrar roupa numa hora de produtividade com o argumento de não consigo trabalhar no caos). Felizmente são questões que se resolvem com tempo e, precisamente, alguma adaptação. Para mim, que sou uma pessoa de rotinas, nem deveria ser complicado. Acontece que a minha experiência de começar a trabalhar a partir de casa sofreu um choque inicial: coincidiu exactamente com o arrancar de obras no prédio (berbequins e outros instrumentos barulhentos, de manhã até ao final da tarde, durante mais de um mês) e com o início do Verão - e eu não lido muito bem com calor (dá-me a volta ao sistema nervoso, bloqueio, não trabalho tão bem).

Sabia que não ia ser imediatamente bom, pela necessidade de adaptação, mas foi mais complicado do que imaginava (pelos factores externos que não controlava). Eu cresci no campo, no silêncio natural, e sempre me custou um pouco habituar-me ao barulho constante da cidade. As obras pioraram a minha relação com a casa, com o trabalho, com o Manel. Andei insuportável chata durante algum tempo e tentei procurar uma solução (que surgiu, em forma de biblioteca, mas já falo sobre isso). Curiosamente encontrava-se a decorrer, no início de Junho, o período de apresentação de projectos para o Orçamento Participativo de Lisboa (algo que acontece anualmente). Eu já tinha andado a estudar o processo de candidatura, a pensar sugerir umas lombas para a nossa rua, mas não hesitei em mudar o foco. As ideias surgem muitas vezes da necessidade. Apresentei o projecto Cowork - Campo de Ourique, num processo de candidatura muito simples (apresentar a ideia e justificar a sua importância, tudo online). Não me iria resolver o problema da falta de local de trabalho de imediato (nem para breve) mas senti que fazia sentido tentar (poderei não ser eu a usufruir do mesmo mas gosto de pensar que irá beneficiar alguém no futuro). Muito resumidamente: o projecto prevê a criação de um espaço de cowork (partilha de espaço e recursos de um escritório) em Campo de Ourique com salas para utilização diária, semanal ou mensal por parte de indivíduos com actividade profissional livre (freelancers) - designers, fotógrafos, copywriters, entre outros - que procuram compensar a falta de condições para assumir o arrendamento de um espaço por conta própria e quebrar a monotonia do trabalho a partir de casa.

Os projectos apresentados ao Orçamento Participativo de Lisboa (481 propostas) foram analisados por uma equipa da Câmara Municipal de Lisboa, que avaliou a viabilidade técnica de todos e seleccionou aqueles que iam ao encontro dos critérios estabelecidos (e para os quais estimou os custos envolvidos e prazo de execução). Dessa avaliação resultaram 189 projectos - nomeadamente o Cowork - Campo de Ourique (felicidade!) com um prazo de execução de 18 meses (desespero!) - que se encontram a votação, por parte de cidadãos que vivem, estudam ou trabalham em Lisboa, até 15 de Novembro (na verdade por parte de qualquer cidadão que tenha alguma relação com a cidade). Desafio, assim, quem ainda não o fez, a conhecer a página de divulgação do projecto no Facebook (Cowork - Campo de Ourique), a ler sobre o projecto no site do Orçamento Participativo de Lisboa (ou a conhecer os restantes projectos a votação aqui) e a votar! Acima de tudo convido-vos a votar - são tantos os projectos (consultei apenas alguns mas acredito que haja projectos para todas as freguesias de Lisboa), nas mais variadas áreas de intervenção - alguns bastante prementes - e temos a possibilidade de votar na sua real concretização. É uma oportunidade! É bastante fácil e rápido, no site ou por SMS, até dia 15 de Novembro! Influenciando um pouco, fica a sugestão:


Entretanto, para terminar a minha história: as obras do prédio terminaram e está a chegar o frio (com o qual convivo muito bem). Trabalhar a partir de casa tem vindo a tornar-se mais simpático (é muito bom saber que não temos de sair quando está um temporal lá fora). Sinto que não ando tão impaciente. Já fiz várias experiências de rotinas e penso ter encontrado a ideal: acordo, tomo o pequeno-almoço (tenho sempre muito apetite de manhã), vou ao ginásio e tomo banho. Trabalho em casa de manhã, almoço e saio para a biblioteca. Volto a casa ao final da tarde e por vezes, quase sempre, ainda trabalho mais um pouco ou perco-me em momentos de criatividade culinária na cozinha. A biblioteca tem sido, de facto, a minha salvação (foi a minha salvação no Verão, tem ar-condicionado). Fica a dez minutos de casa a pé e tem wi-fi gratuito - e na verdade sinto-me sempre muito feliz rodeada de livros e acho saudável sair de casa e ver pessoas. Mas não a considero uma solução para sempre, tem algumas limitações: o horário (segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e por vezes sinto necessidade de trabalhar à noite ou ao fim-de-semana), a impossibilidade de deixar o computador ou documentação para o dia seguinte, o ter de sair para a rua (e para a chuva, por exemplo) para atender chamadas ou para lanchar qualquer coisa. Não são limitações graves, repito que a biblioteca tem sido uma salvação, mas não é um local de trabalho. Pode ser que o projecto Cowork - Campo de Ourique seja um dos mais votados... E daqui a dois anos estarei a escrever de lá :)