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1.8.16

atalho

Sempre que combino um jantar com a minha amiga Jacinta acabamos, invariavelmente, no Mercado de Campo de Ourique — onde por sua vez optamos sempre pelo Atalho do Mercado. Jantámos juntas há duas semanas atrás e não fugimos à regra. Tendo a ser muito pouco original quando vou a restaurantes que já conheço, optando quase sempre pelos pratos que já experimentei e que sei que vou gostar (boring, eu sei, mas sou feliz assim — tenho a certeza de que acabo satisfeita). Passa-se o mesmo com o Atalho: só conheço o pica-pau e o bife do lombo, ambos no prato (existe a opção no pão para o bife do lombo) e não sei se preciso de conhecer mais, já sou bastante feliz assim :)

Para apreciadores de (boa) carne: vale muito a pena. A carne de vaca é mesmo muito boa (tenra e suculenta), as batatas wedges a acompanhar fazem a diferença e a salada distingue-se pelo tempero e cebola roxa (excelente para quem aprecia) — mas o destaque vai mesmo para a carne, insisto. Quanto ao pica-pau, que experimentei antes, é igualmente bom (rendo-me facilmente quando entra bolo do caco na equação) mas não tão marcante como o bife do lombo. Bons molhos a acompanhar em ambos os pratos. O serviço é neutro (nem simpáticos nem antipáticos) e não é o mais rápido, em contexto de mercado, mas é compreensível (a carne precisa do seu tempo) e vale a pena a espera.

Recomendo. Fico sempre com vontade de voltar.

Atalho do Mercado Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

25.7.16

dois.três.três

Há três semanas almocei com a minha amiga Margarida (há três semanas, é este o delay deste blog) no Dois.Três.Três. Já lá tinha ido lanchar sozinha e outra vez com o Manel, lanchar também. O espaço é muito giro, fazia falta algo assim nas redondezas — se não fugirmos para Campo de Ourique não há nenhuma oferta cozy na área Rato-Amoreiras (e na realidade em Campo de Ourique também não há muita oferta dentro do mesmo estilo).

Rendi-me aos lanches — bolo de chocolate (com alfarroba e cacau na base) e tarte de amêndoa (acho que era tarte de amêndoa, não me lembro ao certo, muito boa) — mas não fiquei tão satisfeita com o almoço. Optei por umas pataniscas de legumes com arroz e salada e confesso que achei um pouco "sem graça". Creio, no entanto, que se tratou apenas de um dia/escolha infeliz pois já vi ementas e fotografias na página de Facebook com óptimo ar.

Valeu pela conversa e reencontro com uma amiga querida — e a decoração enche, de facto, a vista. Acho os preços um pouco desadequados para a oferta/zona — não estamos propriamente no Chiado — e o atendimento não é o forte do espaço, essencialmente ao nível da (ausência de) simpatia natural, não tanto pelo tempo de espera. No entanto, fico com vontade de voltar para, uma vez mais, lanchar e fazer uma pausa no mini-pátio nas traseiras.

Dois.Três.Três Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

23.2.16

amendoeiras (quase em flor)




Fotografia de Milada Vigerova | Unsplash

Ainda do fim-de-semana: na estrada entre o Torrão e Ferreira do Alentejo passa-se, a dada altura, por uma plantação de amendoeiras (do lado direito da estrada para quem vai no sentido Norte-Sul). No Inverno, mais despidas, não chamam a atenção mas recordo-me de na Primavera serem lindas lindas: a tranquilidade em rosa claro. Neste sábado voltámos a passar por lá e apesar de ainda não ser altura já espreitam algumas flores. Fiquei com vontade de ter uma amendoeira (talvez em versão bonsai?).

do fim-de-semana

Passámos o fim-de-semana no Alentejo. O Manel é visitante assíduo mas eu não ia além de Setúbal desde o ano passado - e andava com saudades. Seguimos apenas no sábado ao final da manhã (tivemos um jantar de amigos na sexta-feira à noite), parámos para um almoço tardio em Alcácer do Sal (estava um sol muito quentinho para Fevereiro) e seguimos caminho. Algumas paragens e chegámos ao destino ao final da tarde. Acendemos a lareira. Silêncio total, apenas o crepitar da lenha. Perfeito. Jantar tardio e séries pela noite dentro. Adormeci no sofá.

No domingo acordámos tarde - tarde para quem quer aproveitar o dia. Andávamos com os horários trocados há já algum tempo e precisávamos de dormir. Depois de algum stress com um esquentador a teimar em não trabalhar - mas acabámos por conseguir tomar banho com água quente - passei a tarde a ler. A tarde toda. Só fiz uma pausa para almoçarmos no meio do campo mas depois voltei ao meu livro, à lareira. Horas a fio, sem vontade de parar. Na verdade nunca tenho muita vontade de voltar para Lisboa ao domingo - e a visão da casa virada do avesso não ajudou* - por isso tardámos o regresso ao máximo.

Creio que já por aqui disse que cresci no campo. No ar puro, na liberdade de movimentos, no silêncio-apenas-cortado-por-sons-da-natureza. O Manel também. Temos sempre vontade de fugir de Lisboa ao fim-de-semana e às vezes brincamos com a ideia de fuga permanente. Neste momento seria possível, em termos profissionais, para ambos mas a vida é tão volátil - amanhã pode ser indispensável estarmos em Lisboa. Não sei. Não sabemos. Não nos vejo a tomar essa decisão tão cedo, nem sei se a tomaremos algum dia, mas gosto muito de sonhar com uma casa na planície.






Fotografia de Alice Hampson | Unsplash

* Não, as obras não terminaram na sexta-feira. Creio que terminam hoje, terça-feira, mas não estou certa. Na verdade não sei, escapuli-me ontem e hoje para a biblioteca e o Manel ficou a comandar as tropas. Novidades em breve, espero.

15.2.16

últimas





Fotografia de Matt Popovich | Unsplash

O post de hoje sai em modo expresso:

Estive em clausura, de quinta-feira a sábado, de volta de dois trabalhos (saí apenas na sexta-feira de manhã para ir ao ginásio e fui fazendo pausas para refeições e lanches - pausas demais). Sábado à noite, com tudo entregue, desafiei o Manel para um copo no Lx Factory. Acabámos a cear bolo de chocolate no 1300 Taberna. Tão giro o espaço - arquitectura industrial - e tão bom o bolo.

O Pedro aceitou o desafio (e eu engoli em seco). Espreitei o calendário de provas do Correr Lisboa (o nome induz em erro, o site apresenta provas previstas de Norte a Sul do país) a ver se encontrava algo de pequena dimensão para uma experiência antes dos 10 km. Pareceu-me ser tudo de 10 para cima: 10 km, 21 km, 25 km, 50 km, 100 km (?). Entretanto vou precisar de uns ténis decentes!

Hoje estamos com obras no prédio - já houve tantas obras desde que sou home-based freelancer... - e desta vez também contribuímos para o caos. Estamos com pequenos arranjos cá em casa (mudar o papel de parede da cozinha, entre outras coisinhas) e hoje estou em modo baby sitting dos senhores responsáveis pelas obras. Amanhã fica o Manel (não me concentro com martelos).

Fiquei a saber que vai sair mais um livro de Harry Potter - e fiquei histérica. Combinei com a minha amiga Laura lermos o livro em simultâneo (cada uma em sua casa, vivemos em países diferentes) tal como fizemos com os livros do Senhor dos Anéis há... 15 anos atrás? Falando de amigas: a minha amiga Jacinta vai casar (o dia dos namorados tem destas coisas) o que significa que eu e o Manel voltaremos ao Funchal em 2017.

A minha vida está em stand-by total. A qualquer momento posso ter novidades e ao mesmo tempo pode não mudar nada. Acho que estou confortável com isso, quase tranquila, pela primeira vez desde que sou freelancer. Demoro a adaptar-me mas penso que estou, finalmente, a aprender a conviver com a incerteza. Ou então estou apenas bem disposta? Veremos :)

Entretanto passei mais um TPM com distinção! Para quem não percebe esta afirmação há esclarecimentos aqui e aqui.

Por hoje é tudo. Amanhã volto com mais calma.

8.2.16

bifes e burritos

Na semana passada tivemos duas experiências gastronómicas novas - em nada semelhantes entre si. Na segunda-feira (há uma semana), aniversário do Manel, fomos jantar ao Café de São Bento. Avaliei a experiência aqui mas faz todo o sentido partilhar por aqui também :) Pedimos ambos o Bife do Lombo à Café de São Bento e ficámos muito bem impressionados. A carne é muito boa mas achamos que o segredo está no molho - é tão bom (o Manel diz que vai procurar na net, espero que para tentar reproduzir em casa). Apesar de consumirmos muito mais carnes brancas e peixe temos sempre carne de vaca em casa (da produção familiar no Alentejo) mas passamos semanas sem preparar nada. Associo, tendencialmente, a pratos mais elaborados e durante a semana procuramos simplificar (e ao fim-de-semana é pouco frequente almoçarmos ou jantarmos em casa). Na verdade já tínhamos saudades de um bom bife (e de batatas fritas, caseiras, as primeiras do ano) e o restaurante é muito simpático - bastante intimista, sossegado, perfeito para conversas a dois ou com um pequeno grupo de amigos. Não chegámos às sobremesas mas ficámos com curiosidade.

A outra experiência foi totalmente diferente. Na quarta-feira demos um salto às Amoreiras para umas compras de supermercado e pensámos em jantar no Noori. Apesar de já passar das 21h ainda tinha uma fila composta e como não queríamos perder muito tempo acabámos a experimentar o Bala - cozinha mexicana. Nunca fui ao México, nem o Manel, nem a muitos restaurantes mexicanos - não conhecemos a culinária a fundo e não temos com que comparar. No geral achámos bom - mas não deixa de ser um fast-food num centro comercial. Detalhes: não existem opções fechadas, escolhe-se a versão taco ou burrito e diversos ingredientes para o compor. Ao contrário do que tenho lido online não achei o processo de criação do burrito (optámos ambos por burritos) nada complicado - apenas achei que, no final, fica com ingredientes a mais (fica um burrito bastante gordinho, é preciso ir com algum apetite). Não sei se fico com vontade de voltar (fiz uma má escolha quanto ao molho final, escolhi pelo nome e só depois percebi que era cor-de-rosa - um cor-de-rosa com um ar muito pouco natural - o que me fez perder um pouco o apetite) mas fiquei com vontade de fazer em casa.

[Esta semana vamos andar mais caseiros. Aliás, vamos dedicar o feriado a preparar alguns pratos para os próximos tempos. Ando com vontade de caril, talvez faça um caril de frango. E mais granola. E umas lulas. Humm..  Entretanto acho que vou lanchar] :)

26.1.16

a granel

Hoje visitei a Casa a Granel. O nome não deixa lugar a dúvidas: é uma loja onde se vendem produtos (sementes, frutos secos, farinhas, cereais, entre outros) a granel. Li sobre a mesma na New in Town, espreitei a página de Facebook e hoje, finalmente, passei por lá. Fica mesmo em frente à Igreja do Santo Condestável, ao lado do Mercado de Campo de Ourique (que é o meu bairro).

O grande destaque da loja é a variedade: tem as paredes cobertas com dispensadores. É verdade que a oferta a granel está a voltar (e só encontro benefícios, tanto no combate ao desperdício alimentar como na protecção do ambiente) mas é ainda bastante limitada. Recorro sempre ao Brio que, em comparação com a Casa a Granel, tem uma oferta muito inferior (provavelmente por fornecer apenas produtos biológicos).

A Casa a Granel tem produtos biológicos e não-biológicos (e estes, na sua maioria, de origem natural: livres de todo o tipo de aditivos químicos e produzidos de forma tradicional, apenas sem a certificação biológica). Fiquei surpreendida com a oferta e encontrei produtos que procurava há algum tempo (como arandos desidratados). Cumprindo o prometido comprei nozes de macadâmia e castanhas do maranhão.

Estive bastante tempo à conversa com o dono - que se interessa por tudo o que está por detrás dos produtos que vende (que benefícios oferecem, como devem ser utilizados) e faz questão de o partilhar com os clientes. A Casa a Granel é a verdadeira loja de bairro, de comércio tradicional. É simples e despretensiosa mas não deixa de ser acolhedora. No fundo, também são as pessoas que fazem os sítios.


Fotografia do meu Instagram

22.1.16

claraboia

Ontem à noite fomos ver a peça Claraboia baseada no romance homónimo de Saramago <3 e que está n'A Barraca até Fevereiro. Li o livro - já li quase todas as obras de Saramago, que é o meu autor preferido desde que o descobri - mas quem não leu (como o Manel) também acompanha muito bem a história. Vale a pena assistir à peça! Sem querer adiantar muito da história avanço apenas que o cenário está muito bem montado para representar as vidas em cada um dos andares (o romance retrata o quotidiano de várias famílias num prédio lisboeta na década de 50). Apesar de enorme - confesso que não esperava 3 horas (21:30 - 00:30 com intervalo de 10 minutos pelo meio) - a peça vê-se muito bem, essencialmente por ser uma história dinâmica. Do elenco fazem parte bons nomes do teatro, como Maria do Céu Guerra, João Maria Pinto e Rita Lello, com excelentes prestações. Na verdade, há anos que não ia ao teatro - e admito que se contam pelos dedos das duas mãos todas as vezes que terei ido. Foi bom relembrar que é um espectáculo único: sala cheia, os actores ali tão perto (ficámos na primeira fila) e a emoção final quando toda a plateia se levanta para bater palmas... Vale a pena. Detalhes sobre a peça aqui.




































Cartaz retirado daqui

[A minha mãe (atenta seguidora do blog) veio jantar cá a casa e foi connosco ao teatro (também tinha lido a obra e estava curiosa com a peça). Vive em Setúbal e no caminho para cá fez um desvio por Azeitão, para passar pelo Cego :) recordam-se da frustração sentida aqui? Pois bem, ultrapassada :)]

18.1.16

fim-de-semana

Sábado acordou bastante solarengo. Preguiçámos um pouco. Tomámos o pequeno-almoço com calma. Banhos. Casa arrumada. Saímos para a rua. Queríamos aproveitar o sol ao máximo, sem horários. Almoçámos umas saladas no Kayser e rumámos à Arrábida. Já andávamos com vontade de passear - sair um pouco de Lisboa, apanhar ar fresco - há algum tempo e a Arrábida nunca cansa :) A descida para o Portinho é das paisagens mais bonitas que conheço - em qualquer estação do ano. onde-acaba-o-verde-começa-o-azul. Haverá semelhante? No sábado, apesar do sol, estava frio, bastante frio. Estava quase agradável para passear mas na verdade eu não estava muito bem agasalhada (nunca estou). Andámos um pouco e sentámo-nos para um café. [Estou a escrever com uma enorme vontade de regressar ao fim-de-semana e de estar rodeada dos meus. Há dias em que custa mais estar sozinha..]. Mas voltando à Arrábida. Parámos para tomar café. Infelizmente não há oferta de qualidade: os cafés/restaurantes que existem são os mesmos há anos e não se têm reinventado - e acredito que a procura aumente ano após ano. Estão muito velhotes e os donos não são simpáticos. É uma pena pois a vista é incrível. E há bom peixe. Não se compreende.

[Entretanto recordei uns dias que passei no Portinho com os meus pais e a minha irmã. Eu não tinha mais do que quatro ou cinco anos, logo terá sido há cerca de 25 anos. Tenho uma memória muito vaga, provavelmente construída pelo que me contaram, mas tenho ideia de não ver muito movimento - não era tão procurado como nos dias de hoje e as mini-férias provavelmente terão sido em Maio/Junho. Tínhamos um barco a recreio nessa altura e foram dias bastante leves: saíamos da casinha que tínhamos arrendado - logo uma das primeiras quando se chega ao Portinho, do lado esquerdo - e um senhor velhote levava-nos num barco pequenino até ao nosso barco. Dávamos umas voltas e acabávamos a passar o dia numa das praias escondidas na serra onde só é mesmo possível aceder de barco. O dia devia acabar com peixe grelhado. Gostamos muito de peixe.]

Ainda demos um salto a Azeitão com o Cego em mente (a melhor pastelaria, por muito que apareçam opções mais modernas). Fechado para férias, toda uma decepção, fiquei a sonhar com as delícias de Azeitão (que prefiro face às famosas tortas). Fomos até Setúbal e acabámos por jantar com os pais do Manel. [Foi boa ideia termos começado o dia com saladas pois a partir da tarde perdemos um pouco o controlo :)] Acabámos a noite na sessão da meia-noite no Monumental, já em Lisboa, a ver A Rapariga Dinamarquesa (eu gostei, o Manel talvez menos). Foi um dia sem planos. Pegar no carro e ir. Costumo ser control-freak, gosto de saber onde vou, mas confesso que todo o dia me soube muito bem - e voltava já :) Domingo foi tão bom como sábado. Almoçámos em família em casa do meu Pai, em Cascais, e não demos pelo tempo passar no meio de tanta conversa. Chegámos a Lisboa às onze da noite e ainda li um pouco na cama. Adormecer ao domingo é sempre mais difícil.. Hoje acordei um pouco down. Nunca tenho monday blues - até costumo gostar de segundas-feiras - mas hoje estou cheia de vontade de voltar ao fim-de-semana e de me aninhar no abraço de alguém.

4.1.16

best nine

Vi em alguns Instagrams a compilação das nove fotografias com mais likes, das respectivas contas, em 2015. Não resisti a fazer o mesmo, aqui está:





 ... 1. Eu e o Manel no topo do Rockefeller Center, em Nova Iorque. Estamos giros e apaixonados. 2. A minha granola caseira. É mesmo deliciosa. Vou voltar a fazer, fotografar e partilhar a receita por aqui. 3. A nossa casinha: a sala de estar vista da sala de jantar numa quinta-feira - dia em que a Joselita vem cá a casa. 4. Vista da Casa da Guia, em Cascais, no dia em que fomos conhecer a casa nova do meu Pai (entretanto já mudou, continua em Cascais e numa casa mais gira). 5. Vista da piscina na quinta dos pais do Manel onde passámos tantos fins-de-semana de 2015 (na verdade sempre que podemos fugimos para a quinta). 6. Eu, num dos últimos dias de férias de Verão em Porto Covo. 7. Odeceixe, das férias de Verão (estávamos "sediados" em Porto Covo mas demos alguns passeios pela Costa Alentejana). 8. Creio que partilhei esta imagem quando estávamos no aeroporto quase a embarcar para NY - roubei a fotografia do Pinterest e confesso que faltam os créditos. 9. Um autocolante num presente de Natal da minha irmã para mim - na verdade recebi dois presentes da Feliz é quem diz: um avental que diz "Feliz é quem cozinha com amor" e um calendário amoroso para 2016. Vou fotografar e partilhar por aqui. Faltam momentos, faltam pessoas - mas está um mosaico bonito.

3.12.15

Nova Iorque, Nova Iorque (a partida e a chegada)

Tenho de escrever sobre Nova Iorque, tenho de escrever sobre Nova Iorque. Desde que voltei que sou assombrada por este pensamento. Quanto mais próximo da viagem escrever mais próximo da realidade - do que senti - será o que escrevo. Já passou um mês e meio e o que me tem travado é o facto de ainda não ter editado as fotografias (para ilustrarem o que escrevo). Estou sem mac - onde tenho os programas de edição - há duas semanas mas na verdade já podia ter começado antes. Não há desculpa possível - é questão de começar.. Como para contar a partida e a chegada não são necessárias fotografias (até porque creio não ter) acho que posso avançar um pouco mais: já referi o que fazer antes da partida para os EUA. Detalhe: quando se recorre a check-in online, tendo comprado os bilhetes online, poderá ser necessário informar a TAP dos dados do passaporte dos viajantes.

[Quando comecei a fazer o check-in online, na véspera da viagem, surgiu uma mensagem parecida com "não é possível realizar check-in - entre em contacto com a TAP". Tentei várias vezes, sempre a mesma mensagem. Calores, suores, tragédia - já achava que não íamos, que tinha feito algo mal nas reservas ou no pedido de autorização para entrar nos EUA. Vi todas as possibilidade más a passarem à frente dos olhos, em segundos - culminando na imagem de um Manel chateado (sou eu que trato das reservas e afins). Entrei em contacto com a TAP por mensagem privada no Facebook - são sempre super rápidos e eficientes a responder - e afinal estava tudo bem (voltei a respirar): na compra de bilhetes online não há nenhum espaço para inserção dos dados do passaporte - e essa informação é necessária para o check-in online. Dei os dados, corrigiram a situação e consegui fazer o check-in].

Já no aeroporto foi tudo muito rápido. Com o check-in online feito passámos a segurança e fomos até à gate. Na gate voltam a fazer um controlo de segurança: é necessário formar uma fila, é feito novo controlo e só depois o embarque (que implica nova fila). Depois do embarque tudo óptimo: os aviões para longo curso da TAP são óptimos (e eu já andei em Emirates) e a viagem faz-se bem. Gosto de todo o contexto "aeroporto". Gosto da sensação de ler ou ver um filme no avião - e de saber que não há outro lugar onde estar ou ir, só posso estar ali. Por falar em filme: vimos um bom filme (vimos os dois o mesmo, ao mesmo tempo <3): True Story, com James Franco, Felicity Jones e Jonah Hill. É um filme recente, de 2015, e não faço ideia se esteve em algum cinema em Portugal. No IMDB tem apenas 6.3 - mas gostámos. Tal como o nome indica é baseado num caso real.

Chegar a Newark: tudo muito rápido e tranquilo. Num instante saímos do avião, andámos um pouco e chegámos ao controlo de passaportes: criam-se pequenas filas, o controlo em si é rápido (o que é que vem cá fazer? quanto tempo fica?) e num instante estamos a recolher as malas e a sair. O aeroporto é pequeno, distâncias curtas, não há por onde nos perdermos. Do trabalho de casa que fiz concluímos que o melhor transporte seria o expresso: sai do aeroporto e faz três paragens em Nova Iorque. A nossa, Port Authority Bus Terminal, ficava a 8 minutos a pé do hotel. Há quem opte por comboio (mais rápido) ou mesmo táxi (bem mais caro). O expresso ficou por 25 dólares ida e volta e o único senão é apanhar algum trânsito (hora de ponta). Aterrámos às 16h30, às 17h30 já estávamos a caminho de Nova Iorque e tenho ideia de às 19h já estarmos no quarto do hotel.

A maioria do tempo de viagem no expresso não tem nada de extraordinário - são subúrbios. Aos poucos delineiam-se os prédios da grande maçã, ao longe, mas mesmo assim não dá para ter muita noção da cidade. O derradeiro momento do percurso é a travessia de um túnel (Lincoln Tunnel) para chegar a Manhattan: passámos por todo o "deserto", entrámos no túnel (já estava quase totalmente noite lá fora) e saímos (já era de noite). Saímos do túnel e estávamos noutro lugar. Saímos do túnel e começámos a ver algum movimento, luzes ao fundo. O autocarro parou passados poucos metros e era a nossa paragem. Saímos, com as malas, para o passeio - mesmo em frente ao edifício do The New York Times (que tínhamos acabado de ver no filme no avião). Luzes. Pessoas. Movimento. Estamos em Nova Iorque. Sou capaz de ter dito baixinho "Oh meu deus - chegámos!" Se não disse - pensei, de certeza.

Este momento, esta chegada, foi emocionante.

30.11.15

sempre que está sol

Passámos muito pouco tempo juntos na semana passada (e nos últimos dois fins-de-semana). Estive ocupada com dois cursos, um a começar às 9h e outro a acabar às 22h30, e o Manel também andou mais pelo Alentejo do que é costume. Resultado: cruzámo-nos pouco nas manhãs e só nos reencontrámos ao final da noite, já com muita vontade de ir para a cama. Combinámos um fim-de-semana-sem-nos-largarmos para matar saudades. E assim foi. Manhãs vagarosas, almoços tardios e tempo para conversar. Gostamos ambos de cozinhar, já o disse por aqui, mas preferimos fazê-lo ao final do dia ou noite. Ao fim-de-semana, a não ser que tenhamos algo preparado, gostamos de sair e aproveitar o sol - sempre que está sol - o máximo possível. Sábado e domingo é pouco frequente almoçarmos por casa.

Sábado fomos ao Royale Café no Chiado. O Manel não conhecia, eu vou lá há anos. Fomos tarde e mesmo assim ainda estava composto - bom, na verdade a cozinha está sempre aberta, é possível ver movimento a qualquer hora. O Manel experimentou um bacalhau espiritual e eu fui para o hamburguer em pão pita com tzatziki - uma amiga minha tinha pedido, há uns tempos, e fiquei com vontade de provar. Demoraram bastante tempo a servir, foi o único aspecto chato (e estávamos com um apetite louco) mas os pratos estavam óptimos e o ambiente e música sempre simpáticos. Terminámos com um crumble de frutos silvestres e maçã, com bola de gelado, a meias. Estava muito bom (também tenho boas memórias do bolo de chocolate). É um dos espaços que aconselho a quem visita Lisboa.

No domingo não queríamos perder muito tempo em trânsitos (no sábado demorámos uma hora do Chiado até à ponte - uma corrida na 24 de Julho) e demos um salto ao Kayser, que fica perto de casa (vamos a pé). Gostamos de tudo no Kayser. De tudo mesmo. Perco-me pela tarte de ruibarbo - é divinal, tenho de aprender a fazer (e tentar uma versão "saudável") e o Manel adora o croissant com amêndoas. Desta vez optámos apenas pelas saladas - do salad bar, em que podemos escolher o que queremos - e sumos de laranja (nada de doces!). Seguimos para Monsanto: andámos a explorar o antigo panorâmico de Monsanto - um edifício que em tempos foi restaurante e agora se encontra completamente degradado. É um pouco isolado e aparentemente não se pode entrar - tem um portão fechado a cadeado - mas é questão de saltar a cerca. Apesar da vista incrível para Lisboa e rio senti que "não devia estar ali". O espaço tem algo de sombrio..

Não tenho andado com a máquina fotográfica (preguiçosa...).

9.11.15

do fim-de-semana

Gosto de tudo o que se relaciona com cozinha. Sou muito feliz à mesa e gosto de explorar receitas, fazer compras (supermercado biológico ou praça para ingredientes e diversas lojas para utensílios e acessórios) e cozinhar. Vem de trás: tenho uma família que dá uma grande importância ao lado gastronómico da vida: ao preparar, reunir à volta da mesa, apreciar e conversar durante horas. Tenho avós que cozinham divinalmente - e que o fazem por prazer, pois sempre tiveram "ajudas" - e tanto a minha mãe como o meu pai herdaram o jeito e o prazer de preparar e receber. Eu e a minha irmã esforçamo-nos por acompanhar.

Recordo os fins-de-semana invernais na casa de Azeitão (o crepitar da lareira e salamandra, o Frank Sinatra do meu pai baixinho, de fundo) sempre com pratos mais elaborados do que durante a semana. Os nossos pais perguntavam-nos quase sempre, a mim e a minha irmã, o que nos apetecia para o fim-de-semana e os pedidos andavam sempre muito à volta de assados no forno, pratos de bacalhau, pratos italianos. Os almoços duravam horas - prolongavam-se com chávenas de chá e conversa (quase sempre numa tentativa nossa de adiar a tarde de estudo, nos tempos de liceu e faculdade). 

Toda esta introdução para dizer que sou uma foodie, vulgo bom garfo, e que sou feliz à mesa e em tudo o que se relaciona. Felizmente encontrei no Manel a mesma paixão: também gosta de percorrer livros de receitas e é mais inventivo do que eu na cozinha (o que se nota no estado em que a cozinha fica depois de cozinhar - mas adiante). Curiosamente temos um gosto muito parecido e apetece-nos quase sempre o mesmo: "estava a pensar fazer salmão no forno para o jantar, o que achas?" "humm, sim, é mesmo isso que me apetece". Acontece-nos com muita frequência, é uma sintonia feliz :)

A nossa relação com a cozinha estende-se, obviamente, para fora de casa: gostamos de conhecer locais novos, especialmente pequenos coffee-shops para um café ou chocolate quente. Quando gostamos somos fiéis (adoramos o Fábulas, o Kaffehaus, o Le Jardin na Embaixada - apenas alguns exemplos, em Lisboa) e quantos mais espaços bons conhecemos mais frustrante se torna passar por experiências menos agradáveis: a felicidade que sinto quando provo algo que me enche a alma é proporcionalmente inversa à frustração de provar algo que fica aquém das expectativas. Fico mesmo chateada, desiludida.

Este fim-de-semana tivemos, precisamente, duas experiências gastronómicas totalmente opostas:

Sábado, um sol maravilhoso! Decidimos ir até ao Cabo Espichel. Depois da fotossíntese lembrei-me que tinha aberto, há pouco tempo, um cafézinho biológico perto de Sesimbra e decidimos parar lá. Valeu tanto a pena! O espaço é amoroso e os donos muito simpáticos. Provámos uma tarte de amêndoa deliciosa (apenas com ingredientes biológicos e do bem, sem açúcar refinado e afins) e tomámos café bio ao som de António Zambujo. Fomos muito bem recebidos: no fim decidimos levar mais uma fatia de tarte para a viagem (e ofereceram-nos ainda mais uma fatia!). Pequenos gestos que fazem toda a diferença e que determinam o nosso regresso. Vamos voltar, de certeza!

Domingo, outro dia com sol que aquece por dentro! Decidimos dar uma volta no Lx Factory. Adoramos o espaço, o ambiente alternativo e as lojas (o Manel perde-se nas lojas com artigos vintage). Também gostamos dos restaurantes: já experimentámos o Cantina, onde provámos moussaka pela primeira vez e adorámos, e também gostámos do Burger Factory. Ainda nos falta conhecer alguns (A Praça, Landeau) e ontem decidimos experimentar o Café na Fábrica. Não fomos muito bem recebidos, principalmente em termos de atendimento (penso que até por alguém da gerência) e da apresentação dos pratos - sem qualquer primor.

Pedi um hambúrguer de grão com pimentos, cogumelos e rúcula - em bolo do caco - e o Manel uma baguete com brie, mel, nozes e rúcula. Não foi tanto uma questão de sabor, foi todo o contexto: atendimento a correr, simpatia zero e apresentação negativa. Muito negativa (devia ter fotografado). Senti-me numa estação de serviço - e não é isso que se espera de um espaço assim. Pergunto-me como é que espaços de restauração se dão ao luxo de não garantir um serviço acima da média - sendo isso que faz a diferença entre um cliente voltar ou não voltar. Ainda para mais nos dias de hoje - em que o cliente tem acesso a um mundo de plataformas que permitem avaliar (e tornar pública) a sua boa ou má experiência.

Enfim... Desabafei a frustração :) Deixo-vos uma fotografia da tarte de amêndoa do Aloha Café - roubei da página de Facebook, espero que os autores não se importem :) Não deixem de ver a página, tem fotografias lindas (foodie que é foodie perde-se com fotografias destas) e fica a sugestão para quando passearem para aqueles lados!

Tarte de amêndoa (biológica!) - Aloha Café, Santana - Sesimbra

4.11.15

Nova Iorque, Nova Iorque (preparação)

Não foi uma viagem muito planeada. Bom, minto. Quando estou por detrás há sempre algum planeamento - sou um pouco controladora. O que quero dizer é que não foi planeada com muita antecedência. Queríamos fazer uma viagem este ano, tal como fizemos no ano passado e como esperamos fazer para o ano - uma viagem grande por ano - e tínhamos várias ideias. Quem não tem ideias para viajar? Comecei a fazer as minhas pesquisas online e a pressionar o Manel (desde que voltámos de Marrocos?) que é sempre mais descontraído: já fizeste pesquisas? tens andado a ver viagens? Começaram a surgir algumas ideias: Israel está nos planos há muito tempo, Sri Lanka há algum (mas acho que tem muito potencial para lua-de-mel), Argentina, Peru, Colômbia. Nova Iorque também foi sempre um destino possível mas mais facilmente descartado, com o argumento de que podemos ir a Nova Iorque em qualquer altura/não é uma cidade que vá mudar muito nos próximos anos/pode esperar.

Acontece que no ano passado gostámos de viajar em Outubro e este ano queríamos repetir a época - e começámos a ficar apertados em termos de tempo, para reservas e algum estudo da viagem. Há viagens que exigem maior preparação, maior disponibilidade de tempo para a viagem em si ou para as quais podem existir alturas ideais, nomeadamente por questões meteorológicas, não coincidentes com o que tínhamos pensado. A dada altura, início de Agosto, estávamos bastante entusiasmados com a América do Sul - já falávamos em fazer uma viagem ainda maior, possivelmente duas a três semanas, abrangendo mais do que um país - mas percebemos que devíamos ter começado a tratar de tudo com mais antecedência. São países muito grandes e que para serem conhecidos mais a fundo (sair dos centros urbanos e explorar áreas mais remotas) é necessária alguma preparação logística. A antecedência permite também encontrar opções mais atraentes do ponto de vista financeiro - e estava a parecer-nos tudo um pouco acima do orçamento pensado.

Não ia dar. Estávamos os dois com algum trabalho, ainda teríamos as férias em Porto Covo (sem computador/internet) e achámos que não íamos ter tempo para preparar uma viagem dessa dimensão com cuidado. Não gostamos de fazer as coisas à pressa - e uma grande parte do prazer de viajar está na preparação da viagem, no ainda não fomos mas temos a certeza que vamos, e não quisemos limitar esse prazer para uma viagem dessas. Foi aí que nos lembrámos novamente de Nova Iorque: não é uma cidade que exija muita preparação, basta reservar voos e hotel. É uma cidade para chegar e ficar - não há necessidade de sair - andar na rua e sentir o ambiente. Começámos a ficar entusiasmados, a pesquisar voos e hotéis e foi tudo muito rápido. Tratámos das autorizações para viajar - cidadãos portugueses não precisam de visto para entrar nos EUA mas sim de uma autorização (e de passaporte, claro) - e assim que recebemos a confirmação em como estávamos autorizados a entrar no país marcámos tudo.

Fiquei histérica. Lembro-me perfeitamente do momento: estava sozinha em casa, sentada no sofá da sala com o computador ao colo (costumo ser eu a tratar das reservas e burocracias das viagens - adoro, claro) e a trocar mensagens com o Manel, que provavelmente andava pelo Alentejo ou por Setúbal. Lembro-me de confirmar as datas de ida e regresso uma última vez e de lhe enviar uma mensagem, em letras garrafais, a demonstrar todo o meu entusiasmo por já termos os bilhetes. Iríamos viajar precisamente dentro de dois meses! O tempo passou num ápice mas foi mais do que suficiente para fazermos algumas pesquisas, falarmos com amigos que já tinham ido e viver todo o prazer de sabermos que íamos - o que muitas vezes parece irreal até acontecer mesmo. Fui com grandes expectativas, confesso, e a cidade correspondeu por completo.

Para interessados numa viagem aos EUA: é aconselhável solicitar a autorização para entrar nos EUA antes de marcar viagens e hotéis. O pedido é submetido online, tem um custo de 14 dólares por pessoa e o veredicto é dado dentro de dois a três dias úteis. Não é necessário mais nada. O seguro de viagem ou de saúde/assistência no estrangeiro é facultativo mas normalmente aconselhado pois os cuidados de saúde nos EUA são extremamente caros (há diversos os cartões de crédito que oferecem assistência no estrangeiro, por exemplo). Quanto às nossas reservas: normalmente espreitamos as ofertas das agências de viagem mas temos o hábito de marcar tudo autonomamente, pois costumamos encontrar opções mais em conta/adequadas ao que procuramos. Viajámos na TAP e ficámos num hotel de quatro estrelas muito próximo de Times Square (super promoção do Booking). Pormenores e mais fotografias em breve!

Vista do Top of the Rock - Observation Deck (Rockefeller Center)