4.1.16

viver com um daltónico

Conversa recente entre mim e o Manel no messenger do Facebook depois de eu ter alterado a cor da conversa (sim, o Facebook agora permite que alteremos a cor das conversas no chat - é piroso):

Manel: Não gosto muito da conversa em cor-de-rosa...
Filipa: Cor-de-rosa?
Manel: Cinzento?
Filipa: É verde-água...
Manel: ...

A verdade é que quase nunca me lembro que o Manel é daltónico. Herança genética: tem um tio daltónico, é provável que tenhamos filhos com o mesmo problema. Felizmente lida bem com o assunto - cresceu assim, não conhece o mundo de outra forma, está habituado - que já deu direito a conversas cómicas. Lembro-me de um dia estarmos parados nuns semáforos e de eu ter uma epifania - "Oh meu deus mas como é que distingues as cores do semáforo? E como é que nunca me lembrei disto antes?" Terá sido no primeiro ano de namoro - mas depois de muitas viagens de carro juntos. Também me lembro desta, algum tempo depois:

Manel: Comprei uns calções de banho.
Filipa: Ah boa, como são?
Manel: Cinzentos com riscas encarnadas.
Filipa: Soa giro, deixa-me ver :)
(...)
Filipa: Hum, Manu, as riscas são verdes...
Manel: Ah... Pois. Não faz mal :)

casinha de gengibre

Vi no We Blog You (como é que ainda não falei na equipa We Blog You por aqui?) uma amorosa casinha de gengibre - e cheguei à conclusão que se vendiam no IKEA. Falei na casinha de gengibre durante todo o mês de Dezembro e na véspera da véspera de Natal o Manel apareceu com uma embalagem cá em casa. No meio das últimas maratonas de lojas que fez, para comprar os presentes em falta, deu um salto ao IKEA e comprou-me a casinha de gengibre (e uma pizza para o jantar). Abracei-o, dei saltinhos e bati palmas (acho que ajudou a que finalmente sentisse o Natal). Pensei que podia ser um bom entretenimento para a noite de 24 - já a adivinhar que a minha mãe e a minha irmã iriam adorar montar a casinha comigo (ou montar entre as duas comigo por perto pois nunca tive muito jeito para trabalhos manuais).

Só quando abri a embalagem é que percebi que era necessário criar o "cimento" da casa. Felizmente tinha os ingredientes necessários em casa - uma clara de ovo, açúcar de confeiteiro e sumo de limão. Preparámos, deixámos repousar e começámos a construir a casinha. Não foi fácil, as paredes caíram várias vezes e tentámos remediar a questão com linhas de coser - a passar entre as janelas e à volta do telhado para a casa se manter. Entretanto jantámos, veio a meia noite, os presentes, e deixámos a decoração da casa para o dia seguinte (decoração = chantilly e smarties). Não sei se foi calor, só sei que no dia seguinte a casinha já estava com um ar bastante rústico (leia-se: torto). Fui adiando a decoração e a casinha desmoronou na madrugada de dia 1. Foi o fim - e não tenho fotografias da obra. Em compensação podem ver a casinha We Blog You aqui.

Efeitos colaterais: sobraram demasiadas caixinhas com smarties. Já comi todos.

best nine

Vi em alguns Instagrams a compilação das nove fotografias com mais likes, das respectivas contas, em 2015. Não resisti a fazer o mesmo, aqui está:





 ... 1. Eu e o Manel no topo do Rockefeller Center, em Nova Iorque. Estamos giros e apaixonados. 2. A minha granola caseira. É mesmo deliciosa. Vou voltar a fazer, fotografar e partilhar a receita por aqui. 3. A nossa casinha: a sala de estar vista da sala de jantar numa quinta-feira - dia em que a Joselita vem cá a casa. 4. Vista da Casa da Guia, em Cascais, no dia em que fomos conhecer a casa nova do meu Pai (entretanto já mudou, continua em Cascais e numa casa mais gira). 5. Vista da piscina na quinta dos pais do Manel onde passámos tantos fins-de-semana de 2015 (na verdade sempre que podemos fugimos para a quinta). 6. Eu, num dos últimos dias de férias de Verão em Porto Covo. 7. Odeceixe, das férias de Verão (estávamos "sediados" em Porto Covo mas demos alguns passeios pela Costa Alentejana). 8. Creio que partilhei esta imagem quando estávamos no aeroporto quase a embarcar para NY - roubei a fotografia do Pinterest e confesso que faltam os créditos. 9. Um autocolante num presente de Natal da minha irmã para mim - na verdade recebi dois presentes da Feliz é quem diz: um avental que diz "Feliz é quem cozinha com amor" e um calendário amoroso para 2016. Vou fotografar e partilhar por aqui. Faltam momentos, faltam pessoas - mas está um mosaico bonito.

os últimos dias do ano

Não escrevo há 15 dias. Confesso que sinto alguma falta. Gosto da sensação de ir contando os meus dias - e gosto de saber que alguém "os lê". É um diário, um desabafo, uma forma de registar memórias. Há uns dias ouvi (num TED de que tenho de falar aqui) que temos tendência a desvirtuar as memórias com o passar do tempo - provavelmente ajustamos ao que gostaríamos que se tivesse passado, suavizamos momentos mais negativos ou intensificamos outros? Acredito que aconteça com frequência. O blog pode ser uma forma de manter as memórias reais - e gosto dessa ideia. Mas adiante! Muito se tem passado - não fosse esta a altura mais "preenchida" do ano para toda a gente.

Natal. Passámos o 24 cá em casa e o 25 entre Cascais e Lisboa. Felizmente temos a família perto, toda entre Setúbal-Cascais-Lisboa, logo não temos de fazer muitos quilómetros para estar com todos. O meu Natal de infância era quase sempre na mesma casa (a casa de Azeitão) onde ia toda a família e era raro termos de nos deslocar em ambos os dias. Lembro-me de ter a sensação de o Natal durar imenso tempo. Hoje dividimo-nos um pouco para chegarmos a todas as casas e dois lados da família - mas não nos podemos queixar, estão todos perto. Como dizia: a véspera foi cá em casa - gosto muito do Natal e tenho o maior prazer em que seja cá em casa. Temos uma casa que se presta a "jantares" com uma sala de jantar e sala de estar contíguas; a nossa Joselita (tenho de falar na Joselita) veio dois dias antes e a casa ficou impecável; e dividimos os preparativos e iguarias entre todos - e assim ninguém ficou muito cansado. Confesso que não gosto de "coisas a mais" (afinal éramos só sete) nem da ideia de passar o dia inteiro na cozinha. Gosto que estejamos todos pela sala, a conversar, a jogar, a petiscar - com idas pontuais à cozinha para controlar o peru no forno. Simplificamos e gosto disso. Afinal de contas não é tarde/noite para stressar, é para estar. Simplesmente estar e desfrutar da companhia. É verdade que ainda não temos um Natal com crianças mas creio que vamos conseguir manter o "simples e calmo" quando tivermos :) Foi o nosso terceiro Natal juntos, meu e do Manel.

Passagem de Ano. Também foi cá em casa, com amigos. Nem eu nem o Manel ligamos muito à data - nem os amigos que cá vieram - mas não deixa de ser uma noite diferente. A lógica foi a mesma do Natal: cada casal preparou qualquer coisa o que permitiu conversa pela noite dentro, sem grande stress na cozinha. Prático e descontraído. Quanto à "passagem" em si: confesso que sempre fui pessoa de resoluções - "este ano vou aprender mais uma língua", "este ano vou fazer mais exercício físico", "este ano vou (...)" - mas creio que já em 2014 não fiz. [Fui agora ver o post que publiquei no Facebook no final de 2014 e não fiz mesmo: "Depois de um dia um pouco atribulado (note to self: não experimentar um cabeleireiro novo em dias de festa) e com um humor assim-assim (tenho esperança no champanhe) recordo-me que 2014 fica marcado pela minha primeira bola de berlim na praia (true story).. E pelo regresso apaixonado a Lisboa, depois de Bruxelas, e por muitas viagens e dias bons! Apesar de estar certa de que não trocava nada (do que é realmente relevante).. Gosto de recomeços. Ano novo: saúde para todos, o resto fazemos nós. "destaveznaofacoresolucoes #quevenha2015 #bomano"]. Pois bem, em 2015 também não fiz resoluções. Pensei num post para partilhar, mas com os amigos a chegar cá a casa e a conversa que surgiu pelo meio acabei por não publicar. Ainda publiquei uma fotografia - pequeno desenho criado por mim com uns carimbos amorosos que comprei em Nova Iorque:


























Nas não cheguei a escrever nada. Tinha na cabeça um post bem-disposto como o do ano passado (apesar de não andar com a disposição nos píncaros - curiosamente também não estava ultra bem-disposta no final de 2014). Tinha na cabeça algo como: "2015 foi o ano em que passei a gostar de castanhas assadas e de filhozes - ou o ano em que comprei os primeiros cremes anti-rugas (gostava de dizer que apenas de prevenção mas acho que já vi uma ou outra malvada). Também foi o ano em que deixei o trabalho estável, em que já não me revia, por um dia-a-dia mais incerto. Apesar de não me arrepender - tomaria a mesma decisão hoje - ainda não me habituei totalmente a trabalhar a partir de casa/por conta própria mas sou uma pessoa que não lida bem com a mudança." E não pensei em forma para terminar mas sei que voltaria a desejar saúde a todos - algo que por muito que façamos (exercício físico, alimentação saudável...) não controlamos totalmente. Há muito mais que não controlamos... Mas que podemos sempre tentar mudar ou alcançar e é novamente com esse espírito que entro no novo ano. 2016 é capaz de ser o ano sobre o qual menos sei (antes do ano começar). Tenho amor, todo o amor que podia desejar, e a minha família próxima - mas tudo o resto, e principalmente a vida profissional, é uma incógnita. Estou curiosa.

Ainda sobre os últimos tempos: entre o Natal e a Passagem de Ano tive uma prova de conhecimentos que exigiu alguma dedicação (pesquisa e estudo) nas semanas anteriores. Esperava que corresse melhor: achava que estava preparada e tive um pequeno baque quando vi as perguntas do exame. Respondi o mais e melhor que pude e ainda não sei os resultados - mas não estou muito optimista. Na verdade não andei muito optimista nos últimos dias do ano - já por aqui tinha partilhado que não sentia o espírito natalício - e tenho andado um pouco ansiosa com a volatilidade do trabalho por conta própria. Posso sempre concluir que não é o melhor para mim, que não se encaixa no meu feitio, que prefiro algo fixo ou integrado numa equipa/entidade. Mas ao mesmo tempo acho que ainda não lhe dediquei (à experiência em si) tempo suficiente. Lá está: estou a lidar com o desconhecido para os próximos tempos. Tenho de aguardar os resultados do exame - mas ao mesmo tempo estou a preparar-me para a possibilidade de não ter um resultado positivo. Há que ter sempre um plano B, que não é melhor nem pior, é algo que nos salvaguarda se o plano inicial não correr como esperamos. Vou apostar no plano B nos próximos tempos - que na verdade já existe há algum tempo mas não lhe tenho dado a atenção devida. É altura de o fazer. Afinal "the best way to predict the future is to create it" - Peter Drucker. Podemos controlar quase tudo. Podemos mudar quase tudo.

Feliz 2016 às quatro pessoas queridas que sei que me lêem: Manel, Mãe, Inês e Laura. Sei que alguém já espreitou o blog em Varsóvia e na Amadora (?) o que me deixa curiosa! Vou averiguar :)

20.12.15

os últimos tempos

Nota prévia: escrevi os dois parágrafos que se seguem na terça-feira à noite, no intervalo de uma formação que fiz todas as noites desta semana (excepto sexta-feira), mas não cheguei a publicar. Acho que faz sentido partilhar na mesma. Apesar de "já estarmos" no domingo seguinte ainda é actual: ontem (sábado) passámos o dia longe um do outro, nem sequer nos cruzámos de manhã, e hoje (domingo) passamos a tarde afastados. Temos sido consumidos pelos dias... E temos saudades um do outro.

Aqui vai:

"Andamos desconectados, cada um com as suas coisas, obrigações, prazos. Não temos tido tempo para muito - nem um para o outro. Também temos tido família em casa, alternadamente - o que gostamos! Mas não deixa de quebrar a rotina das nossas noites-a-dois, que adoramos. Vamos trocando uns "tudo bem?" pelo dia, por mensagem, e sabemos que nos encontramos ao final do dia - muito final nestes dias - mas falta-nos tempo e espaço juntos. Sei que virá - mas ainda falta um pouco.

Pequeno exemplo da ausência de harmonia dos últimos tempos: no domingo à noite, já tarde, optámos por nos dividir para entrarmos na semana sem pendentes. O Manel foi ao supermercado enquanto eu montei a árvore de Natal. Ouvi música natalícia enquanto montava, trepei a uma mesa para colocar a última parte da árvore (que é enorme) e deixei uma bolinha encarnada para o Manel colocar no fim - em jeito de participação. Sim, chamei "pendente" à árvore de Natal... É assim que andam os últimos tempos."

14.12.15

note to self

Os dias em que vou ao ginásio de manhã são sempre melhores.
Os dias em que vou ao ginásio de manhã são sempre melhores.
Os dias em que vou ao ginásio de manhã são sempre melhores.

Repetir três vezes quando der preguiça.

11.12.15

o amor está nas pequenas coisas

Descobri, graças a uma partilha de Facebook, umas ilustrações amorosas de tão simples que são. O amor está nas pequenas coisas. É um lugar-comum, sim, mas confesso que gosto de o sentir (finalmente). Aquelas em que mais me (nos) revejo:

Estar na mesma divisão. A fazer coisas diferentes mas na mesma divisão - só para estarmos perto um do outro.

Adormecemos sempre abraçados. Sempre sempre sempre (a posição dois é a mais frequente: eu deito-me e adormeço em segundos, o Manel tem maior dificuldade em adormecer e o meu abraço ajuda :) curiosamente o Manel tem covinhas nas costas tal e qual as covinhas da ilustração dois). Durante a noite damos voltas e voltas, passando pela posição três e normalmente acordamos na posição um (durante a semana). A posição quatro é uma das posições de ronha ao fim-de-semana.


Esta está demais! Revejo-nos na indecisão - o que podemos jantar hoje? - e na ténue linha entre preparar algo mais complexo ou simplificar com algo rápido, como uma pizza. A posição de pernas à chinês no sofá - ou no chão - é típica minha.

Sendo sincera: não tem acontecido muito, desde que voltámos de Nova Iorque ainda nenhum dos dois pegou nos livros que andava a ler. No entanto esta situação já se deu várias vezes, principalmente quando nos deitamos cedo (antes da meia-noite). Temos de retomar.

Leggings, meias grossas e camisa de flanela ou camisolão (camisola normal de homem que em mim se torna camisolão) do Manel é um dos meus outfits nos dias em que fico a trabalhar em casa. É tão bom, tão confortável e quentinho. Também já recorri a imensas t-shirts e sweatshirts para dormir, principalmente quando passamos o fim-de-semana na quinta e não levo pijama (sempre). E na verdade... O Manel tem muito mais roupa do que eu.

Isto somos nós (talvez sem a roupa espalhada e definitivamente sem a pizza em cima da cama). Conversamos imenso na cama - aliás, é o lugar das conversas sérias. Sentados, deitados, com luz, às escuras, abraçados. Esta imagem também me lembra quando começámos a namorar e ainda vivia cada um em sua casa: passámos horas em cima da cama a conversar, a falar das recordações que tínhamos um do outro, das nossas famílias, dos amigos. Não dávamos pelo tempo passar - e passavam-se horas.

A posição número um acontece imenso quando vemos algo juntos na televisão - exactamente nos mesmos lugares. A posição três é a nossa posição de sexta-feira à noite, noite em que normalmente jantamos mais tarde - e de forma mais boémia - e vamos ficando pelo sofá até adormecermos.


Ilustrações de Philippa Rice

10.12.15

do pequeno-almoço

Uma coisa que me custa: sair de casa de manhã sem tomar o pequeno-almoço. Normalmente só acontece uma vez por ano - em dia de análises de rotina - e hoje foi o dia. Sair de casa de estômago vazio (e sem café no sistema, o único que bebo por dia), descer a rua até ao metro, fazer o percurso de metro até ao hospital, ter 20 pessoas à frente (sabia que devia ter vindo ainda mais cedo) e análise - é muito tempo, custa-me um bocadinho e sinto que a manhã não é igual. A verdade é que acordo sempre com apetite - aliás, deito-me à noite a sonhar com o pequeno-almoço do dia seguinte - e sou capaz de comer bastante ao pequeno-almoço (principalmente ao fim-de-semana, num dia normal fico-me por torradas e café antes do ginásio e iogurte com granola e fruta quando volto do ginásio). Não foi sempre assim: houve uma fase na adolescência (= altura de dietas malucas) em que me limitava a um copo de leite ao acordar - e hoje penso como era possível? É uma questão de hábito, como tudo na vida. E é dos meus hábitos preferidos.

Pequeno detalhe do dia de hoje: já na cafetaria do hospital, depois das análises, consegui distinguir entre o galão e a meia-de-leite (aleluia!) e pedir o que realmente me apetecia - um galão quentinho. Não, não vou dizer o que acompanhou o galão (foi um pão de deus com manteiga e fiambre, em jeito de compensação pela ausência de pequeno-almoço ao acordar, mas que não valeu assim tanto a pena - aliás, o pão de deus deixa de fazer sentido quando não da Padaria Portuguesa). Sim, o galão pode soar a opção incoerente quando afirmo a quem me ouve que deixei de beber leite (de vaca - ou qualquer leite, não me habituei a nenhum leite vegetal) há quase um ano. É verdade, é incoerente. Sabe-me bem por ser quentinho mas acabo sempre por sentir algum peso no estômago. É raro beber - tirando em Nova Iorque, onde bebi um latte do Starbucks por dia (e chocolate quente e outras coisas boas), mas férias são férias, Nova Iorque é Nova Iorque e tudo o que andei a pé compensou <3

9.12.15

eu e o zomato

Demoro algum tempo a ceder a novidades. Sou assim um pouco com tudo na vida - não lido muito bem com mudanças - e sou assim com as redes sociais: só na semana passada aderi ao Zomato! Eu, que me assumo como foodie, ainda não tinha explorado a plataforma que permite, entre outras funções, avaliar restaurantes e cafés. Lembrei-me de o fazer quando tive uma má experiência num restaurante (de que falei aqui) e senti necessidade de alertar potenciais clientes (e também os gerentes/donos) para o mau serviço prestado. Sim, é um facto, tendemos a reportar mais o mau do que o bom - a pedir o livro de reclamações em vez do livro de elogios (que já é possível encontrar em alguns estabelecimentos). Em jeito de defesa posso avançar que apesar de me ter lembrado do Zomato por uma razão negativa as opiniões que dei desde que me registei foram maioritariamente positivas :)

Quanto ao Zomato: tive um pequeno baque quando comecei a explorar - tinha assumido que era uma start-up portuguesa (não sei onde fui buscar essa ideia mas estava mesmo convencida) e entretanto percebi que a empresa foi criada na Índia. A plataforma é user-friendly e oferece algo que nunca vi no Trip Advisor (que nunca utilizei para avaliar experiências, apenas para consultar): fotografias das ementas. Gosto de consultar as ementas antes de experimentar algum espaço e nem todos os sites/páginas de Facebook de cafés e restaurantes disponibilizam. Gosto de ter uma noção da oferta e dos preços - e acho que pode ter um impacto positivo (convidativo) junto de potenciais clientes. Entretanto apenas fiquei desiludida por Setúbal ainda não fazer parte do Zomato - que já está em 23 países. No sábado passado almoçámos na Casa do Mar (é recorrente, adoramos) e fui direita ao Zomato para dar um notão - mas nada de Setúbal.

O meu perfil no Zomato aqui.

7.12.15

ainda não entrei no espírito - mas quero!

Adoro o Natal. Tenho as melhores recordações possíveis dos Natais da minha infância e adolescência, invariavelmente (ou 90%) na casa de Azeitão. Os meus pais sempre gostaram muito de receber, já como os meus avós, e eu e a minha irmã sempre acompanhámos os preparativos (confesso que tenho apenas alguma preguiça com a árvore de Natal): apanhar musgo para o presépio - que ficava uma verdadeira obra de arte - preparar as sobremesas, decorar a casa... Adoro fazê-lo na vida adulta também (com ligeiras alterações - sem presépio, por exemplo): decidir onde fazemos o 24, a que casas vamos no 25, quem trata do peru, quem traz o quê ou ai-que-presente-damos-à-avó-este-ano? É mais uma razão para estarmos todos juntos, à volta da mesa (somos todos felizes à mesa) ou com jogos até de madrugada (com alguns presentes pelo meio).

Acontece que este ano o Natal ainda não entrou em mim. Ainda não fiz listas de presentes e compras, ainda não decorámos nada em casa, ainda não fiz grandes pesquisas online. Não me reconheço - costumo começar tudo isto em Novembro, para fazer durar o máximo possível. A verdade é que temos tido umas semanas atípicas - felizmente atípicas - de hospitais, médicos e exames e não temos tido muita vontade sequer de pensar no Natal. Ainda só fizemos algumas combinações por alto mas nem está nada definido em termos de datas e locais. Confesso que quero muito entrar no espírito (fico genuinamente feliz) mas ainda não o sinto.. Partilhei esta falta de entusiasmo com a minha irmã - que prometeu vir em minha salvação: no próximo fim-de-semana vamos dedicar-nos a ideias de decoração que andámos a explorar no Pinterest.

Entretanto deixo uma música bonita - de uma banda portuguesa com gente bonita - para o blog entrar no espírito. Já conhecem os Oh Honey?

3.12.15

sim, confesso, faço-o às vezes


the happy page (sou fã)

Nova Iorque, Nova Iorque (a partida e a chegada)

Tenho de escrever sobre Nova Iorque, tenho de escrever sobre Nova Iorque. Desde que voltei que sou assombrada por este pensamento. Quanto mais próximo da viagem escrever mais próximo da realidade - do que senti - será o que escrevo. Já passou um mês e meio e o que me tem travado é o facto de ainda não ter editado as fotografias (para ilustrarem o que escrevo). Estou sem mac - onde tenho os programas de edição - há duas semanas mas na verdade já podia ter começado antes. Não há desculpa possível - é questão de começar.. Como para contar a partida e a chegada não são necessárias fotografias (até porque creio não ter) acho que posso avançar um pouco mais: já referi o que fazer antes da partida para os EUA. Detalhe: quando se recorre a check-in online, tendo comprado os bilhetes online, poderá ser necessário informar a TAP dos dados do passaporte dos viajantes.

[Quando comecei a fazer o check-in online, na véspera da viagem, surgiu uma mensagem parecida com "não é possível realizar check-in - entre em contacto com a TAP". Tentei várias vezes, sempre a mesma mensagem. Calores, suores, tragédia - já achava que não íamos, que tinha feito algo mal nas reservas ou no pedido de autorização para entrar nos EUA. Vi todas as possibilidade más a passarem à frente dos olhos, em segundos - culminando na imagem de um Manel chateado (sou eu que trato das reservas e afins). Entrei em contacto com a TAP por mensagem privada no Facebook - são sempre super rápidos e eficientes a responder - e afinal estava tudo bem (voltei a respirar): na compra de bilhetes online não há nenhum espaço para inserção dos dados do passaporte - e essa informação é necessária para o check-in online. Dei os dados, corrigiram a situação e consegui fazer o check-in].

Já no aeroporto foi tudo muito rápido. Com o check-in online feito passámos a segurança e fomos até à gate. Na gate voltam a fazer um controlo de segurança: é necessário formar uma fila, é feito novo controlo e só depois o embarque (que implica nova fila). Depois do embarque tudo óptimo: os aviões para longo curso da TAP são óptimos (e eu já andei em Emirates) e a viagem faz-se bem. Gosto de todo o contexto "aeroporto". Gosto da sensação de ler ou ver um filme no avião - e de saber que não há outro lugar onde estar ou ir, só posso estar ali. Por falar em filme: vimos um bom filme (vimos os dois o mesmo, ao mesmo tempo <3): True Story, com James Franco, Felicity Jones e Jonah Hill. É um filme recente, de 2015, e não faço ideia se esteve em algum cinema em Portugal. No IMDB tem apenas 6.3 - mas gostámos. Tal como o nome indica é baseado num caso real.

Chegar a Newark: tudo muito rápido e tranquilo. Num instante saímos do avião, andámos um pouco e chegámos ao controlo de passaportes: criam-se pequenas filas, o controlo em si é rápido (o que é que vem cá fazer? quanto tempo fica?) e num instante estamos a recolher as malas e a sair. O aeroporto é pequeno, distâncias curtas, não há por onde nos perdermos. Do trabalho de casa que fiz concluímos que o melhor transporte seria o expresso: sai do aeroporto e faz três paragens em Nova Iorque. A nossa, Port Authority Bus Terminal, ficava a 8 minutos a pé do hotel. Há quem opte por comboio (mais rápido) ou mesmo táxi (bem mais caro). O expresso ficou por 25 dólares ida e volta e o único senão é apanhar algum trânsito (hora de ponta). Aterrámos às 16h30, às 17h30 já estávamos a caminho de Nova Iorque e tenho ideia de às 19h já estarmos no quarto do hotel.

A maioria do tempo de viagem no expresso não tem nada de extraordinário - são subúrbios. Aos poucos delineiam-se os prédios da grande maçã, ao longe, mas mesmo assim não dá para ter muita noção da cidade. O derradeiro momento do percurso é a travessia de um túnel (Lincoln Tunnel) para chegar a Manhattan: passámos por todo o "deserto", entrámos no túnel (já estava quase totalmente noite lá fora) e saímos (já era de noite). Saímos do túnel e estávamos noutro lugar. Saímos do túnel e começámos a ver algum movimento, luzes ao fundo. O autocarro parou passados poucos metros e era a nossa paragem. Saímos, com as malas, para o passeio - mesmo em frente ao edifício do The New York Times (que tínhamos acabado de ver no filme no avião). Luzes. Pessoas. Movimento. Estamos em Nova Iorque. Sou capaz de ter dito baixinho "Oh meu deus - chegámos!" Se não disse - pensei, de certeza.

Este momento, esta chegada, foi emocionante.

2.12.15

sobre o post anterior

Em relação ao último post: morri de saudades quando me deitei ontem. Refazendo: não sabem bem as noites em que o Manel não dorme mas sim as noites em que chega tarde - mas chega. Dito assim não soa muito bem... Convém ler o post anterior para perceber :) Bom dia!

1.12.15

sozinha em casa

Das coisas que faço quando fico sozinha em casa (à noite): chego, preparo o jantar em segundos e instalo-me em frente à televisão a ver o 24 Kitchen.

Hoje estou sozinha. Não acontece muito - apenas quando o Manel tem de madrugar para estar no Alentejo e opta por ficar por lá ou em Setúbal. Hoje não está por uma razão mais importante - a mais importante de todas: cuidar dos nossos - e na verdade já há alguns meses que não acontecia passar uma noite sozinha. Não vou mentir: sabe-me bem. Há algo de inspirador em saber que estou sozinha, que tenho tempo para escrever, que posso fazer tudo ao meu ritmo, que tenho a casa só para mim. Já vivi sozinha solteira e já vivi sozinha longe do Manel, noutro país, por isso sei que só me sabe bem uma noite sozinha porque amanhã já cá está outra vez. Não tenho saudades de viver sozinha. Mas uma noite sozinha, sabendo-me acompanhada (na vida), sabe bem. Mas dizia eu: cheguei tarde a casa, aqueci sopa que fiz no domingo à noite (de couve flor, nunca tinha feito, não estou muito fã) e preparei umas torradas. Em 5 minutos estava instalada no sofá, em frente à televisão - com o aquecedor ligado - a ver programas de culinária. É raro ligar a televisão, passo dias inteiros em casa e ignoro-a sem qualquer esforço (das várias vezes em que vivi sozinha nunca tive televisão) mas é nestes momentos, ao final da noite, que me apetece não pensar nada - e os programas de culinária permitem-me uma abstracção incrível. Entretanto já mudei para a rádio, porque se fico a ver programas de culinária continuo a achar que estou com apetite, e parei no Oceano Pacífico da RFM - que já não é como era, que músicas são estas? Também quase nunca ouço rádio (não conduzo há meses). Mas falando do Oceano Pacífico... É inevitável não me lembrar da minha mãe que conta como o Oceano Pacífico lhe fazia companhia nas noites de estudo quando andava na faculdade e vivia numa residência de freiras em Lisboa (os meus avós viviam em Setúbal). Imagino-a sentada à secretária, num quarto minimalista, com um candeeiro pequenino e livros. Com 17, há 40 anos atrás. Parecida comigo. (Ou eu parecida com a minha mãe).

Momento piroso do dia (hoje estou sensível, cheguei a chorar com a publicidade que anda a comover meio Facebook):


30.11.15

sempre que está sol

Passámos muito pouco tempo juntos na semana passada (e nos últimos dois fins-de-semana). Estive ocupada com dois cursos, um a começar às 9h e outro a acabar às 22h30, e o Manel também andou mais pelo Alentejo do que é costume. Resultado: cruzámo-nos pouco nas manhãs e só nos reencontrámos ao final da noite, já com muita vontade de ir para a cama. Combinámos um fim-de-semana-sem-nos-largarmos para matar saudades. E assim foi. Manhãs vagarosas, almoços tardios e tempo para conversar. Gostamos ambos de cozinhar, já o disse por aqui, mas preferimos fazê-lo ao final do dia ou noite. Ao fim-de-semana, a não ser que tenhamos algo preparado, gostamos de sair e aproveitar o sol - sempre que está sol - o máximo possível. Sábado e domingo é pouco frequente almoçarmos por casa.

Sábado fomos ao Royale Café no Chiado. O Manel não conhecia, eu vou lá há anos. Fomos tarde e mesmo assim ainda estava composto - bom, na verdade a cozinha está sempre aberta, é possível ver movimento a qualquer hora. O Manel experimentou um bacalhau espiritual e eu fui para o hamburguer em pão pita com tzatziki - uma amiga minha tinha pedido, há uns tempos, e fiquei com vontade de provar. Demoraram bastante tempo a servir, foi o único aspecto chato (e estávamos com um apetite louco) mas os pratos estavam óptimos e o ambiente e música sempre simpáticos. Terminámos com um crumble de frutos silvestres e maçã, com bola de gelado, a meias. Estava muito bom (também tenho boas memórias do bolo de chocolate). É um dos espaços que aconselho a quem visita Lisboa.

No domingo não queríamos perder muito tempo em trânsitos (no sábado demorámos uma hora do Chiado até à ponte - uma corrida na 24 de Julho) e demos um salto ao Kayser, que fica perto de casa (vamos a pé). Gostamos de tudo no Kayser. De tudo mesmo. Perco-me pela tarte de ruibarbo - é divinal, tenho de aprender a fazer (e tentar uma versão "saudável") e o Manel adora o croissant com amêndoas. Desta vez optámos apenas pelas saladas - do salad bar, em que podemos escolher o que queremos - e sumos de laranja (nada de doces!). Seguimos para Monsanto: andámos a explorar o antigo panorâmico de Monsanto - um edifício que em tempos foi restaurante e agora se encontra completamente degradado. É um pouco isolado e aparentemente não se pode entrar - tem um portão fechado a cadeado - mas é questão de saltar a cerca. Apesar da vista incrível para Lisboa e rio senti que "não devia estar ali". O espaço tem algo de sombrio..

Não tenho andado com a máquina fotográfica (preguiçosa...).